26 de set. de 2007

Nota de esclarecimento


Sempre quando estou enchendo o saco divulgando meu blog aparece alguém indagando o motivo do nome dele, uma vez que consideram, erroneamente, racista, de modo que poderia acarretar problemas futuros para minha pessoa.

Portanto, venho informar que não há nenhum intuito e, muito menos, conteúdo racista no Coisa de Pretto. Haja vista meu sobrenome que é Pretto. Criei o blog na simples e única intenção de ter meus cinco minutos de fama um espaço aberto para divulgar minhas idéias, visto que, como percebem, sofro de insônia e possuo diversas opiniões por minuto ao tentar dormir. Porém, por azar falta de sorte ou presença demasiada dela, este espaço tornou-se mais útil em um viés mais humorístico do que crítico e/ou idealizador.

Meu nome é Diogo Pretto e me orgulho disso. Gosto de desfrutar deste exótico sobrenome italiano. Por isso, sempre me apresento desta forma, omitindo os dois sobrenomes que possuo até porque quem é pop tem que ter nome artístico, mas não menos importantes que o utilizado.

Conforme afirmei, Coisa de Pretto é no sentido de que esta página possui conteúdos de minha autoria e, como sou nascido e criado em Niterói-RJ, não tenho a mania o hábito de falar que isso é "coisa do pretto", como os cariocas. Portanto, reafirmo que os posts aqui encontrados são "coisas de pretto" (coisas minhas). É óbvio que houve também o intuito de formar uma ambigüidade com a expressão extremamente racista e malvada usada por diversos transeuntes. Nunca falei e nunca voltarei a falar este tipo expressão de tal forma. Até mesmo porque gosto do meu sobrenome e tenho orgulho dele pelo seu sentido literal da língua portuguesa. Digo para todos que meu nome, combinado com meu sangue, que é vermelho (não digaaaaa?!!?Jura?!) me fez ser o que sou: um rubro-negro (flamenguista) no nome e no sangue.

Todavia, como já havia visto na propaganda da futuramente extinta TVE, todos, sem distinção de cor, raça e crença, possuimos um pouco de preconceito/racismo dentro de nós. Cabendo apenas saber escondê-lo em algum lugar bem díficil de encontrar e evitá-lo de praticar.

O sonho de um branco é viver todo dia numa praia pra ficar moreno. O de um negro é ter uma vida bacana como a massiva comunidade de celebridades brancas do planeta. Um branco quando se estressa no trânsito sempre resmunga "tinha que ser preto" ou "tinha que ser mulher". Um negro sempre faz rap criticando a vida dos brancos - que são a minoria rica - enquanto negros são maioria na população e na pobreza. Enquanto isso vemos mulatos e mamelucos que, ao mesmo tempo, vestem camisas "100% negro" e oscilam entra a felicidade e a indignação por estarem inclusos na tal "cota para negros" nas universidades.

Enfim, cada um tem um pouco de racismo dentro de si. É preciso ter consciência de que raça você é de uma forma não racista e sem muito orgulho disto. Por outro lado, mais do nunca devemos reconhecer o valor do negro pela sua dolorosa e, ao meu ver, perpétua luta por um equilibrado espaço na sociedade nacional e mundial. Já que a história que sabemos deles é ínfima perto de sua realidade histórica.

Por isso, exibo aqui uma das minhas preferidas músicas e letras do Natiruts, pois ela retrata muito bem o que tentei explicar no páragrafo acima:


Natiruts - Palmares 1999

A cultura e o folclore são meus
Mas os livros foi você quem escreveu
Quem garante que palmares se entregou
Quem garante que Zumbi você matou
Perseguidos sem direitos nem escolas
Como podiam registrar as suas glórias
Nossa memória foi contada por vocês
E é julgada verdadeira como a própria lei
Por isso temos registrados em toda história
Uma mísera parte de nossas vitórias
É por isso que não temos sopa na colher
E sim anjinhos pra dizer que o lado mal é o candomblé

A energia vem do coração
E a alma não se entrega não
A energia vem do coração
E a alma não se entrega não


A influência dos homens bons deixou a todos ver
Que omissão total ou não
Deixa os seus valores longe de você
Então despreza a flor zulu
Sonha em ser pop na zona sul
Por favor não entenda assim
Procure o seu valor ou será o seu fim
Por isso corre pelo mundo sem jamais se encontrar
Procura as vias do passado no espelho mas não vê
E apesar de ter criado o toque do agogô
Fica de fora dos cordões do carnaval de salvador

A energia vem do coração
E a alma não se entrega não
A energia vem do coração
E a alma não se entrega não



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